segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Computadores descartados pela Europa envenenam crianças na África


Computadores descartados pela Europa envenenam crianças na África

Os cidadãos do Ocidente jogam fora milhões de computadores velhos todos os anos. Centenas de milhares deles acabam na África, onde as crianças procuram ganhar a vida vendendo peças velhas das máquinas. Mas os elementos tóxicos presentes no lixo as estão envenenando lentamente.

Por Clemens Höges, na Der Spiegel

Segundo a Bíblia, Deus lançou uma chuva de fogo e enxofre para destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. As autoridades governamentais de Acra, em Gana, também passaram a chamar de "Sodoma e Gomorra" uma parte da cidade afetada por produtos tóxicos de um tipo que os moradores das cidades bíblicas jamais poderiam imaginar. Ninguém vai a esse local, a menos que isso seja absolutamente necessário.

Uma fumaça ácida e negra passa sobre os barracos da favela. As águas do rio também são pretas e viscosas como óleo usado. Elas carregam gabinetes de computador vazios para o oceano. Nas margens do rio veem-se fogueiras alimentadas por isopor e pedaços de plástico. As chamas consomem o material plástico de cabos, conectores e placas-mãe, deixando intactos apenas o metal.

Hoje há um vento que faz com que a fumaça dessas fogueiras infernais passe lentamente por sobre a terra. Respirar muito profundamente é doloroso para os pulmões, e as pessoas que alimentam as fogueiras às vezes dão a impressão de serem apenas silhuetas vagas e nebulosas.

Uma figura pequena e curvada caminha entre as fogueiras. Com uma mão, o garoto arrasta um alto-falante velho pela terra e as cinzas, puxando-o por um fio. Com a outra mão ele segura firmemente uma bolsa.

O alto-falante e a bolsa são as únicas posses do garoto, além da camiseta e as calças que ele usa. Ele tem um nome incomum: Bismarck. O garoto tem 14 anos, mas é pequeno para a idade.

Bismarck vasculha a terra em busca de qualquer coisa que os garotos mais velhos possam ter deixado para trás após queimarem uma pilha de computadores. Podem ser pedaços de cabo de cobre, o motor de um disco rígido, ou peças velhas de alumínio. Os ímãs do seu alto-falante também capturam parafusos ou conectores de aço.

Bismarck joga tudo o que encontra dentro da bolsa. Quando a bolsa estiver cheia até a metade, ele poderá vender o metal e comprar um pouco de arroz, e talvez também um tomate, ou até mesmo uma coxa de galinha grelhada em uma fogueira acesa dentro do aro de um carro velho. Mas o garoto diz que hoje ainda não encontrou o suficiente. Ele desaparece novamente na fumaça.

O refugo da era da internet


Esta área próxima a Sodoma e Gomorra é o destino final dos computadores velhos e outros produtos eletrônicos descartados de todo o mundo. Há muitos lugares como este, não só em Gana, mas também em países como Nigéria, Vietnã, Índia, China e Filipinas. Bismarck é apenas um de talvez uma centena de crianças daqui, e de milhares do mundo inteiro.

Essas crianças vivem em meio ao refugo da era da internet, e muitas delas podem morrer por causa disso. Elas desmancham computadores, quebrando telas com pedras, e a seguir jogam as peças eletrônicas internas em fogueiras. Computadores contêm grandes quantidades de metais pesados e, à medida que o plástico é queimado, as crianças inalam também fumaça carcerígena . Os computadores dos ricos estão envenenando os filhos dos pobres.

A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que até 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são jogadas anualmente no lixo em todo o mundo. O custo para se reciclar apropriadamente um velho monitor CRT na Alemanha é de 3,50 euros (US$ 5,30 ou R$ 9,20). Mas o envio do mesmo monitor para Gana em um contêiner de navio custa apenas 1,50 euro (R$ 3,80).

Um tratado internacional, a Convenção de Basileia, entrou em vigor em 1989. O tratado baseia-se em um conceito justo, proibindo os países desenvolvidos de enviarem computadores que foram para o lixo aos países subdesenvolvidos. Até o momento 172 países assinaram a convenção, mas três deles ainda não a ratificaram: Haiti, Afeganistão e Estados Unidos. Segundo estimativas da Agência de Proteção Ambiental norte-americana, cerca de 40 milhões de computadores são descartados todos os anos somente nos Estados Unidos.

Diretrizes da União Europeia com nomes como Weee (sigla em inglês de Lixo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos) e RoHS (Restrição a Substâncias Perigosas) seguiram-se à Convenção de Basileia, e países individuais transformaram-nas em lei. As leis relativas à administração de lixo na Alemanha estão entre as mais estritas do mundo. Neste país o envio de computadores descartados a Gana pode dar cadeia. Em tese.

Um negócio milionário


Recentemente o governo alemão mobilizou-se para verificar como é a situação na prática. Especialistas da Agência Federal do Meio Ambiente alemã ainda estão redigindo um relatório que será divulgado nas próximas semanas, mas as conclusões já são conhecidas: há sérias brechas no sistema de reciclagem do país. Segundo o estudo, firmas de exportação da Alemanha enviam 100 mil toneladas de aparelhos elétricos descartados a cada ano para os países subdesenvolvidos, o que é bem mais do que os especialistas temiam.

"Este é um negócio milionário. Não se trata de algo que possa ser classificado como crime pequeno", afirma Knut Sander, do instituto ambiental Ökopol, com sede em Hamburgo. Ele foi o autor do estudo, que exigiu meses de pesquisas. Por causa das suas investigações ele recebeu avisos de que deveria tomar cuidado com a sua segurança.

Ele não teve que ir longe do seu escritório para observar a atividade dessa indústria de exportação. "O Porto de Hamburgo é importante", explica Sander. "Aquilo que não sai por Hamburgo é embarcado em Antuérpia ou Roterdã."

Sander descobriu pequenos negociantes  que enviam contêineres esporádicos ou alguns carros velhos cheios de computadores. Às vezes há centenas desses carros no terminal de O'Swaldkai, em Hamburgo, de onde os navios saem para a África. Há também grandes empresas enviando cargas de lixo tóxico - as chamadas companhias de remarketing, que coletam centenas de milhares de eletrodomésticos velhos todos os anos. Essas firmas têm autorização para revender computadores que estejam funcionando, mas são obrigadas a reciclar as máquinas defeituosas. E algumas delas sabem muito bem quanto dinheiro podem economizar enviando esses computadores inúteis para Gana.

A tarefa de deter essa exportação de lixo deveria ficar a cargo de uns poucos funcionários da alfândega e da guarda portuária. Mas quando os agentes ocasionalmente abrem um contêiner, eles estão provavelmente pedindo para ter dores de cabeça nos tribunais. As leis não definem o que seja um computador descartado, e é legal exportar computadores usados; só não se pode exportar as máquinas descartadas. Um computador que está quebrado, mas talvez ainda pudesse ser consertado, pode ser considerado lixo? E quanto a um computador de 20 anos de idade, que não consegue mais rodar um único programa? Quando há dúvidas, os juízes dão ganho de causa aos exportadores.

Entrando no inferno

Bismarck só sabe que todos os computadores exalam mau-cheiro, tenham eles dez ou 20 anos de idade, e não importando se foram fabricados pela Dell, a Apple, a IBM ou a Siemens. Quando eles queimam, a fumaça faz com que a sua cabeça e garganta doam. As cinzas pegajosas grudam em cada poro e ruga, e provocam coceiras. Manchas aparecem na pele de Bismarck, mas ele sabe que não pode coçá-las porque a poeira tóxica entraria nas feridas abertas.

Desde o início Bismarck sabia que estava entrando no inferno. Mas quando tinha dez anos de idade, ele imaginava que o inferno pudesse, de alguma forma, ser uma aventura. De toda maneira, ele não tinha escolha, assim como as outras crianças daqui de Sodoma. A maioria delas vem das regiões mais pobres de Gana, no norte do país, para a capital, Acra.

Bismarck consegue ainda se lembrar da sua aldeia, que fica perto de Techiman, mais ou menos no meio do país. Lá não há eletricidade, e as paredes dos casebres são feitas de terra.

O pai dele desapareceu quando Bismarck era pequeno, de forma que ele jamais pôde perguntar por que o homem lhe deu um nome tão estranho, que ninguém na aldeia ouvira antes. A mãe de Bismarck criou-o sozinha, até ser atropelada por um carro. Ela perdeu as duas pernas no acidente, e morreu pouco depois.

Uma tia adotou Bismarck, mas havia pouca comida para todos. Finalmente um garoto mais velho da vila lhe falou sobre Acra, e de um lugar entre o mercado Agbogbloshie e a favela Sodoma, onde até  um menino de dez anos de idade seria capaz de ganhar dinheiro suficiente para comprar comida. O adolescente de 16 anos também  falou sobre os computadores e a fumaça, e que ele teria que ser forte.

Pouco tempo depois, os dois garotos foram embora da aldeia, viajando de ônibus e depois de trem. O mais velho tinha dinheiro para as passagens porque já havia trabalhado em Sodoma.

Um euro por dia

Bismarck aprendeu as regras rapidamente. Existe uma hierarquia, e todo garoto pode tentar galgar essa estrutura. Os homens jovens, de cerca de 25 anos de idade, controlam as grandes balanças de ferro velho que ficam com frequência em locais onde se pode ver marcas de pneus na cinza que cobre a terra. Quando a sacola de Bismarck fica cheia até a metade, após um dia perambulando em torno das fogueiras, ele pode vender o material recolhido para esses homens por cerca de dois cedis ganenses, o equivalente a cerca de um euro ou US$ 1,50 (R$ 2,60).

Aqueles que são um pouco mais novos, com cerca de 18 anos de idade, possuem carrinhos de mão feitos com tábuas e eixos de carros velhos. Eles seguem para a cidade no início da manhã para coletar computadores dos importadores de refugo e trazem o material de volta para a favela. Eles quebram os computadores e retiram os cabos, e depois jogam o que restou nas fogueiras ou vendem esse resíduos para garotos um pouco mais novos.

São principalmente esses garotos que carregam os montes de cabos plásticos para serem queimados nas fogueiras. Um deles é Kwami Ama, que tem 16 anos e é um dos dois amigos de Bismarck aqui. Kwami tem um corpo forte e uma face redonda e honesta. Somente os olhos dele, muito vermelhos devido à fumaça quando a noite cai, lhe dão uma aparência meio selvagem. As cicatrizes espalhadas pelas mãos foram provocadas pelas bordas afiadas de computadores quebrados e geladeiras velhas. Kwami arranca a camada de isolamento das geladeiras e as usa para acender as fogueiras,antes de jogar as peças de computadores no fogo. O isopor queima emitindo chamas violetas e verdes, com um calor suficiente para derreter até mesmo cabos dotados de produtos químicos retardadores de fogo no seu isolamento plástico.

Ao contrário de Bismarck, Kwami não consegue mais falar sobre a sua vida. "Fico triste com frequência", diz ele, embora esteja se saindo bem pelos padrões de Sodoma. Alimentar as fogueiras é a tarefa mais tóxica de todas, mas ele ganha dinheiro suficiente para alugar um local para dormir em um barraco de madeira em Sodoma. O barraco tem cerca de dois metros de largura por três de comprimento. Três garotos dormem dentro dele, dividindo o assoalho de madeira. Não há janelas no barraco, mas a porta tem um cadeado, o que lhes permite dormir em segurança – um luxo em Sodoma.

Pobres contra pobres

Ao contrário do seu amigo, Bismarck tem medo da noite. Ele enrola-se no escuro como um cão e dorme encostado em uma parede de madeira em Sodoma, ou sobre as cinzas, ao lado de uma geladeira quebrada na área aberta onde ficam os eletrodomésticos quebrados. Às vezes dorme sobre as balanças. Muda o local de dormir com frequência. Bismarck tem apenas dois amigos aqui. No inferno, os pobres lutam contra os pobres.

Há alguns dias, Bismarck teve um golpe de sorte ao encontrar uma grande quantidade de cobre, e o homem da balança pagou a ele sete cedis. Bismarck só gastou dois cedis, mas na manhã seguinte os outros cinco haviam desaparecido. Alguém usou uma lâmina para abrir o bolso de Bismarck quando ele dormia. Ele simplesmente ganha muito pouco. Bismarck consegue pagar pela comida ou por um local para dormir, mas não pelas duas coisas.

Bismarck também não pode passar a noite com os seus outros amigos. Danjuma tem 11 anos de idade e acredita que já está trabalhando aqui há vários anos. Os seus pais ainda são vivos, mas quatro outros irmãos dividem um barraco com ele em Sodoma, e não há espaço lá para Bismarck.

A mãe de Danjuma detesta ver o filho trabalhando nas fogueiras e desejaria que ele estivesse na escola. Mas a família precisa de dinheiro. Danjuma é o filho mais velho, e não se sabe quanto tempo mais ele será capaz de trabalhar efetivamente. Ele padece de dores frequentes no peito e nas costas.

Danjuma e Bismarck pertencem ao grupo mais jovem, de crianças entre 8 e 14 anos. Nem eles nem as meninas têm permissão para alimentar o fogo. Os garotos novos trabalham com ímãs, e as meninas trazem água em sacos plásticos, e às vezes comida, para os garotos mais velhos. "A gente tem que beber muita água", explica Kwami. O sol é escaldante, fazendo com que a temperatura seja de 30 graus à sombra. Mas não existe sombra em Agbogbloshie. Perto dali o plástico está queimando a uma temperatura de mais de 300ºC.

Encolhendo o cérebro


Kwami diz que se esqueceu de muita coisa, mas que ainda se lembra muito claramente de um certo dia do ano passado. Um grupo de indivíduos brancos veio até à área de ferro velho, o que é raro. Eles eram do Greenpeace. Um homem usava luvas e carregava pequenos tubos de ensaio. Ele coletou amostras da lama de um dos lagos formados pelo rio, e depois cinza e solo de vários locais diferentes na área.

O químico analisou as amostras quando voltou para casa, na Inglaterra, e os valores que obteve não foram bons. Ele descobriu concentrações elevadas de chumbo, cádmio e arsênico, bem como de dioxinas, furanos e bifenis policlorados.

O chumbo, para tomar como exemplo apenas um dos produtos químicos perigosos, provoca dores de cabeça e estomacais após uma breve exposição. No longo prazo, ele danifica o sistema nervoso, os rins, o sangue e especialmente o cérebro. Quando uma criança ingere chumbo através da água ou por inalação, o seu cérebro encolhe ligeiramente e a sua inteligência diminui.

Cientistas da Alemanha ficam preocupados quando descobrem concentrações acima de um limite de 0,5 miligramas de pó de chumbo por metro cúbico de ar. O tubo de raios catódicos de um único monitor de computador contém cerca de 1,5 quilograma de chumbo. Muitas das outras substâncias encontradas pelos químicos no local também provocam câncer, entre outras doenças.

Contra-atacando

Mike Anane, um ativista ambiental e coordenador local da organização internacional de direitos humanos Fian, trouxe os membros do Greenpeace para cá. Anane nasceu aqui há 46 anos, bem ao lado de onde hoje fica Agbogbloshie. Naquela época, as margens dos rio eram repletas de prados verdes e de flamingos, e os pescadores tiravam o seu sustento do rio. Agora não existe vida nessas águas.

Oito anos atrás, Anane começou a perceber a chegada de uma quantidade cada vez maior de caminhões em Agbogbloshie, com as carrocerias repletas de computadores. Ele observou a situação de perto e passou a contra-atacar aquilo que viu. Anane coleta adesivos de procedência de vários computadores descartados para descobrir de quem são os venenos queimados aqui. Ele possui adesivos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, de autoridades britânicas e de companhias como o Banco Barclays e a British Telecom. "Algumas crianças daqui não chegarão aos 25 anos de idade", acredita Anane.

Ele sabe, porém, que as companhias e organizações cujos selos chegam aqui juntamente com os equipamentos descartados não são os agentes que de fato trazem esse lixo para o seu país. As pessoas diretamente envolvidas são comerciantes como Michael Ninicyi, diretor da Kofi Enterprise.

A Kofi Enterprise é uma pequena loja repleta de computadores. Os melhores produtos são velhas máquinas Pentium vendidas por US$ 90 (R$ 156), incluindo um leitor de DVD. Impressoras e copiadoras são exibidas sob uma cobertura amarela na frente da loja - todas as máquinas são provenientes da Alemanha, segundo Ninicyi. Um exemplar do jornal "Berliner Morgenpost", usado para proteção contra arranhões, encontra-se dobrado entre dois computadores. Algumas das máquinas ainda trazem os adesivos de companhias cujas sedes ficam, por exemplo, na pequena cidade alemã de Kleve, no Estado de Brandenburgo ou no de Rhineland. Todos esses produtos funcionam e são legais.

"Este negócio é bom para Gana"

Ninicyi usa calças com vincos, um colar de ouro e sapatos caros. Eis um homem de sucesso. O seu inglês é excelente, ele fala bem e é capaz de se defender  - embora não sinta necessidade disso. Na verdade, o que ele sente é o contrário.

Ninicyi compra os seus produtos exclusivamente de navios de contêineres provenientes de Hamburgo. "Os alemães simplesmente tomam mais cuidado com os seus equipamentos do que qualquer outro povo", explica. Ele não quer dizer exatamente quem são os vendedores. Ninicyi compra os produtos sem examiná-los, algo que é comum nesta atividade. Como parte dos seus cálculos de custos, os vendedores alemães fazem com que em cada contêiner haja alguns equipamentos que funcionam, bem como alguns que ainda podem ser consertados. O restante, cerca de 30%, é lixo, que Ninicyi repassa imediatamente aos garotos que vêm de Agbogbloshie com os seus carrinhos da mão. Contêineres vindos do Reino Unido trazem uma proporção muito maior de lixo.

"Este negócio é bom para Gana e para os outros países", assegura Ninicyi. Ele diz que sente pelas crianças, mas afirma que paga impostos, e os seus fregueses também e que o povo de Gana tem acesso a computadores por um preço acessível.

Ninicyi conhece até uma teoria maior que faria com ele fosse visto como algo semelhante a um funcionário de ajuda de desenvolvimento. A teoria da "lacuna digital", originalmente desenvolvida na Universidade de Minnesota, afirma simplesmente que, como os pobres não têm acesso aos meios modernos de comunicação, e como é o conhecimento que cria prosperidade, as pessoas mais pobres continuarão ficando para trás e a lacuna se expandirá ainda mais. O fornecimento de computadores ajuda a reduzir essa lacuna.

Essa teoria tem alguns pontos fracos. Por exemplo, ela foi desenvolvida em 1970, três anos antes de um jovem estudante chamado Bill Gates sequer começar a estudar na Universidade Harvard. Há também uma segunda teoria da era da computação, a Lei de Moore, cujo nome é uma alusão a um dos cofundadores da Intel, que afirma que a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada dois anos. Os criadores de softwares seguem a tendência, fazendo com que os computadores mais novos de hoje já estejam ultrapassados amanhã e prontos para serem mandados para Sodoma um dia depois.

"Por que vocês não param de nos mandar lixo?"

"Esse processo está cada vez mais rápido, e nós estamos sendo esmagados", queixa-se John Pwamang, diretor do Centro de Gerenciamento e Controle de Produtos Químicos da Agência de Proteção Ambiental de Gana. A agência está localizada em um prédio de concreto em péssimas condições. A caminho do escritório de Pwamang, os visitantes precisam subir primeiro uma escada que no passado deve ter sido verde, e a seguir passar por um banheiro com defeito e uma sala de conferência de cortinas marrons esfarrapadas. Na sala há três depósitos de lixo - um marrom, para papel, um cinza, para plástico, e um outro marrom para tudo mais. Entretanto, o país não conta com um sistema de reciclagem de lixo em funcionamento. Ao que parece a agência de Pwamang ainda tem alguns problemas pela frente.

Os olhos de Pwamang são pouco visíveis por trás das grossas lentes bifocais. Ele fala suavemente, o que o ajuda a parecer mais tranquilo do que realmente é. "Vocês europeus não mudam", reclama ele. "O que deveríamos fazer com os produtos tóxicos que vocês nos mandam? Não temos como reciclá-los. Vocês possuem as instalações para isso. Computadores que funcionam não são nenhum problema, mas muitas das máquinas velhas demais não duram nem um ano aqui. Por que vocês nãoparam de nos mandar lixo?".

Pwamang não tem como provar que o chumbo e as dioxinas estão matando as crianças. Quase ninguém com mais de 25 anos trabalha nas fogueiras às margens do rio de águas pretas. E não existe estudo algum sobre o problema. O Greenpeace identificou e quantificou as toxinas, mas  não examinou os efeitos diretos delas. "As crianças estão doentes", afirma Pwamang. "Temos aqui metais pesados e venenos. Um estudo seria bom, mas mesmo sem nenhum estudo eu sei que a situação é desastrosa."

Sonhando em escapar

Apesar de tudo, as crianças de Sodoma às vezes parecem se divertir. Os garotos mais velhos jogam futebol à noite em um espaço aberto entre as fogueiras, com dois vergalhões servindo de gol e monitores de computador vazios marcando as bordas do campo. Os jogadores correm e mergulham entre a fumaça das fogueiras. Eles não estão jogando apenas para se divertir, mas também pelo seu futuro, já que muitos ganenses deixaram o país para jogar em times profissionais no Ocidente. É um sonho meio louco, mas para muitos dos jovens daqui, um sonho é a única coisa que lhes permite escapar.

O amigo de Bismarck, Danjuma, tem o mesmo sonho, é claro. Ele adoraria treinar futebol, apesar das dores no peito. Não tem dinheiro para comprar uma bola. Mas talvez seja melhor assim já que, se corresse, ele teria que respirar profundamente a fumaça.

domingo, 29 de novembro de 2009

Enquanto até na china o transporte individual dá lugar ao coletivo, aqui o serrágio constrói mais congestionamentos e pedágios. Porque a cidade de São Paulo não poderia ter a mesma solução vista na terceira imagem abaixo?










Pequim: Um ônibus de dois em dois minutos durante a hora do rush

Usando o google translate

"O regulamento e as especificações técnicas de Engenharia de Construção do Sistema BRT formaram um sistema padrão para BRT Pequim e preencheu uma lacuna na indústria da China BRT", disse um funcionário competente de Pequim Transporte Público Holdings, Ltd. (BPT).

Um ônibus é enviado a cada dois minutos durante a hora do rush

De acordo com os regulamentos, números específicos tenham sido prescritos por alguns detalhes. Por exemplo, a velocidade dos ônibus do sistema deve ser inferior a 25 km / h. Durante a hora do rush, fornecendo dois para quatro ônibus, sucessivamente, pode entrar e sair de uma estação ao mesmo tempo, a freqüência de envio não deve cair abaixo de 20 ônibus por hora, se for uma estação de ônibus de modo único, um ônibus deve ser enviado a cada dois minutos.

Repórteres aprendeu que, até linhas mais BRT alcançaram os padrões e BRT Line One tem os mais altos padrões. Na tarde de 23 de novembro, levou o repórter de uma hora e 35 minutos para viajar de Qianmen para Demaozhuang em um carro particular, mas apenas alguns minutos de uma hora e 10 em uma linha BRILHANTE Um ônibus. "Durante a hora do rush, você pode entrar em um ônibus em um minuto, em média, mas é difícil dizer quanto tempo a viagem demora se você atender o tráfego no caminho."

Estações não devemos permitir que ônibus para mais de 60 segundos atrasado

O sistema de operação da BrT, expedição e gestão deve monitorar o tempo de funcionamento de cada ônibus a cada parada de ônibus. Permitindo uma mais-menos erro pontualidade de 60 segundos, cada linha BRT deverá analisar a taxa de pontualidade em cada parada e garantir que ela não seja inferior a 95 por cento. Nas áreas abrangidas pelo sistema de expedição, inteligente, multi-linhas BRT pista deve harmoniosa e eficaz despachar seu ônibus em geral, ea garantia de que pistas relevantes têm a atribuição de capacidade razoável de transporte, transporte bom e transferência de ônibus conveniente.

Actualmente, todas as linhas BRT disse que eles possam acompanhar o processo de funcionamento de cada ônibus, através de equipamentos expedição inteligente. Através de monitoramento em tempo real e à distância, o motorista pode encontrar sua pontualidade nas paragens já passou permitindo ao motorista manter a velocidade adequada e um funcionamento normal.







Entrevista com Xiomara Hortênsia Zelaya

Memória do golpe de Estado
Estudante de comunicação, Xiomara recebeu a reportagem na casa da família, onde Zelaya sofreu o golpe de Estado e foi arrancado de pijama pelos militares na manhã do dia 28 de junho. A seguir, a jovem reconstitui os momentos da invasão.

Alexandra Martins
enviada especial a Honduras
Tegucigalpa, Honduras. Xiomara Hortênsia Zelaya Castro, 24, conhecida pelo apelido de Pichu, é uma das filhas do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, 57. Estudante do primeiro ano de comunicação, Xiomara recebeu a reportagem na tarde de quinta-feira na casa da família, no luxuoso bairro de Tres Caminos, onde Zelaya sofreu o golpe de Estado e foi arrancado de pijama pelos militares na manhã do dia 28 de junho. A jovem mostrou todas as dependências da casa por onde os militares passaram e logo depredaram. Pichu reconstituiu os 40 minutos daquela invasão à propriedade, onde estavam ela, o pai e uma segurança presidencial no interior da casa. Contou que os militares renderam e desarmaram primeiro a guarda presidencial e logo quebraram os cadeados do portão da parte traseira de casa. Ela acabava de entrar no banheiro quando começou a ouvir os primeiros disparos. Seu pai acordou com o terceiro tiro, conta. Zelaya se dirigiu imediatamente à porta do banheiro e lhe disse: "Pichu, estão dando o golpe de Estado", lembra.

Naquele momento, o presidente deposto foi abordado pelos militares enquanto ela seguia trancada no banho. Ela conseguiu abrir a porta e correu para se esconder debaixo da cama em seu quarto enquanto seu pai era levado com as roupas do corpo pelos militares em direção ao aeroporto, de onde viajariam para a Costa Rica. Xiomara fala na entrevista abaixo sobre os rumores de corrupção que envolvem seu pai; sobre o suposto envolvimento da família com o narcotráfico; da amizade que sempre existiu entre Zelaya e o presidente interino, Roberto Micheletti; da prévia relação entre seu pai e o general Romeo Vasquez, que ordenou o golpe; dos boatos sobre as supostas amantes de Zelaya e ainda das supostas surras que dava em sua mulher, Xiomara Castro.

Fala ainda daqueles que hoje representam o "verdadeiro poder" em Honduras e das privações impostas a seu pai, abrigado desde o dia 21 de setembro na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. "Falar sobre esse assunto me ajuda a superar o trauma", explicava Pichu ao final de duas horas de conversa pessoal sobre sua família. Leia a seleção de alguns trechos.

A família foi preparada para o dia do golpe?
Durante toda a semana nós havíamos tomado algumas medidas de segurança. Papai nos apresentou todas as situações às quais ele poderia estar submetido. Eram dias de tensão. Nessa casa não estava dormindo ninguém. Ele dormiu naquela noite porque ele sentiu que não iam fazer nada contra ele. Estávamos esperando para a quinta-feira, porque foi quando houve uma grande reunição no congresso. Na quarta-feira, meu pai havia anunciado a destituição de Romeo Vásquez (chefe das Forças Armadas), mas a Corte Suprema de Justiça voltou a restitui-lo na quinta-feira. Daí meu pai veio dormir aqui porque pensou que, se eles não deram o golpe na quinta, era porque não iam a fazê-lo mais. No sábado, um dia antes do golpe, meu pai se reuniu com todos os embaixadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e observadores. Ele se permitiu dormir em casa. Papai chegou em casa às 4h da manhã e os militares, às 5h30.

Eu estava fora de casa, mas vim para cá quando vi meu pai pela televisão dando entrevista à 1h da manhã. Vim porque não queria deixa-lo sozinho e porque queria acorda-lo de manhã cedo.

O que você escutava lá de dentro do quarto na manhã do golpe?
Eu me tranquei no quarto e só escutava os tiros. Escutava eles gritando: "Levanta as mãos". Escutei meu pai dizer: "Se a ordem é disparar, disparem já contra mim". Eu estava no quarto com minha guarda de segurança. De verdade, quando saí, achei que iria encontrar meu pai morto no chão. Quando entraram no meu quarto, eles encontraram minha guarda de segurança. Ela pediu que eles não disparassem. Eles lhe agarram e lhe tiraram a arma. Não me viram. Buscavam mais pessoas da família. Foram quebrando todas as portas da casa com chutes e pontapés. Os militares queriam obrigar minha guarda de segurança a assinar um documento, dizendo que o golpe havia sido às 6h15 porque aqui há uma lei
que proíbe que se faça uma captura antes das 6h da manhã, mas eles entraram às 5h30. Queriam obriga-la a assinar outro documento que dizia que havia uma ordem de captura que havia emitido a Corte Suprema de Justiça. Por não assinar, eles disseram que iam acusa-la de tráfico de armas, de ser a pessoa responsável por treinar meu pai em ações militares na fronteira com a Nicarágua. É que disseram que meu pai estava com os nicaraguenses e venezuelanos treinando para fazer um Exército da resistência com o fim de realizar um massacre aqui em Honduras.

O que vocês fizeram na sequência?
Eu liguei para minha irmã Zoe e ela ligou para a OEA, em Washington. Fomos ligando para todas as pessoas, para a imprensa, que não acreditava naquilo que dizíamos. As televisões não noticiaram nada naquela manhã. Só mais tarde, um canal estatal deu um pequeno comunicado. Cada um da família foi para uma embaixada da capital. Eu fui para a da Nicarágua e lá fiquei durante duas semanas e meia. Minha irmã Zoe foi para a de Taiwan, e meu irmão, para a de Cuba. Minha mãe estava em Olancho (Estado natal da família). Eles haviam bloqueado os cartões de crédito e as contas bancárias de toda a família.

Como era a relação de seu pai com o general Vásquez?
Tinha uma relação de muita confiança com nossa família. Ele tinha sido chefe do Estado Maior no governo anterior, de Ricardo Maduro (2002-2006), um panamenho, que esteve envolvido em muitos escândalos. Meu pai confiava em Romeo e por isso o manteve no mesmo posto. A relação era muito próxima. Durante toda essa semana do golpe, meu pai esteve falando com ele todos os dias. Ele ligava todos os dias para minha mãe também, dizendo que era fiel ao presidente, para que ela não se preocupasse. No sábado, às 15h, minha mãe recebeu uma
ligação do general Romeo, dizendo que meu pai poderia até ir tomar um cafezinho com ele na sede do Estado Maior. Papai nos reenviava as mensagens que o general lhe mandava para nos tranquilizar. Foi uma época em que começaram a falar muito de uma invasão venezuelana e nicaraguense do país e de que haviam capturado nicaraguenses criminosos. Foi tudo uma campanha estratégica que montaram. Eu dizia a meu pai: "Olha, pai, se essa gente está nessa postura de defender a soberania, é para justificar a mobilização que estão fazendo". O Exército foi totalmente mobilizado naquela semana, havia tropas por todos os lados, houve uma militarização impressionante da capital. Era falso a história da invasão. Pedi a meu pai que mandasse de volta os militares aos quartéis. Daí ele respondia: "Não se preocupe, Pichu, que Romeo está garantindo que está tudo bem". Guardei todas as mensagens no telefone. O general foi um dos que foram a Washington a fazer lobby no Senado para respaldar o golpe.

Seu pai chegou a falar com o general depois do golpe?
Sim, eles conversaram quando papai queria voltar ao país, mas o general disse que não, que não se atrevera, que a ordem era de disparar contra o avição e que iam interceptar a aeronave. Essa foi a última conversa que meu pai teve com o general.

Como foi essa tentativa de pouso?
Eles estavam sobrevoando Tegucigalpa e o piloto disse que não podia pousar no aeroporto, que não queria arriscar e colocar em risco a vida de todos, mas meu pai queria pousar de todas maneiras. Enquanto o avição fazia o giro, os militares posicionaram vários carros na pista. Por isso o piloto disse que não. Eles foram então para El Salvador, onde estava o presidente Rafael Correa (Equador) e a presidente Cristina (Kirchner, da Argentina). Era um avição venezuelano. Hugo Chávez (presidente da Venezuela) lhe apoiou muito. Foi o avição dele que levou meu pai a Washington, por exemplo.

E como era a relação prévia com Roberto Micheletti?
Micheletti frequentou muito nossa casa. Éramos muito próximos à sua família, a seus filhos, almoçávamos juntos, sempre. Durante a campanha do meu pai, ele foi o coordenador político de tudo. Meu pai foi quem o colocou na presidência do Congresso. O problema é que Micheletti permitiu que lhe dominassem. Sempre falei com seus filhos: "Quando é que Micheletti vai deixar de fazer o que digam os demais?" As pessoas que estão atrás dele são os donos dos meios de comunicação, que são os donos do país, os Canahuati, donos dos jornais "El Heraldo" e "La Prensa", que sempre estiveram contra papai. Eles são donos das licitações de medicamentos, são donos porque ganham todas as licitações.

O senhor Carlos Flores Facussé, ex-presidente do país, dono do jornal "La Tribuna", que é como um guru, todos lhe consultam. Foi em seu governo que ocorreu a passagem do furacão Mitch, em 1998. Ele concedeu liberação de impostos aos estabelecimentos de comida rápida, como Burguer King etc. Essas empresas não pagam absolutamente nada de imposto neste país. Esse era o grupo que dominava Micheletti. Ele não toma nenhuma decisão. Quando a OEA veio ao país, logo depois do golpe, ele disse que não poderia renunciar porque havia sido um grupo de pessoas que lhe haviam respaldado e que ele devia lealdade a essas pessoas. Ele falou isso numa reunição. Ele é um testa de ferro a esse grupo de banqueiros e dos meios de comunicação. Minha sobrinha Irene, 4, sempre foi muito querida por Micheletti. Ele lhe mandava sempre presentes, como periquitos e doces. Micheletti ligava pra ela, às vezes lhe mandava saudações pela televisão, ao vivo. Os dois se adoravam.

Ela acabou sabendo de tudo, dizendo que Micheletti havia quitado o trono de seu avô. Irene uma vez perguntou à minha irmã: "É verdade que Micheletti não está a favor da quarta urna?" Sua família foi alvo de muitas críticas pessoais...
Falavam que as filhas utilizavam dinheiro e recursos públicos para se divertir e que seu pai batia na sua mãe. Nós passamos por uma espécie de treinamento durante a última campanha presidencial, que foi terrível quanto a críticas. Essa oposição foi feita por Porfírio Lobo Sosa, que era presidente do Congresso. Fomos bombardeados de críticas pessoais. Chamaram meu pai de assassino.

Começaram a levantar histórias de corrupção de quando meu pai foi ministro.

Todos os dias havia uma coletiva de imprensa para divulgar alguma história mentirosa. Daí, quando entramos no governo, foi pior. Diziam que eu havia usado o avição presidencial para ver shows de Shakira pela América do Sul; que meu irmão havia ido ao Ritz de Chicago com dinheiro público.

E a histórias das amantes e de que seu pai batia na sua mãe?
Tudo mentira. Diziam que papai tinha amantes, que batia na minha mãe e que ela até esteve no hospital militar em terrível estado. Foi totalmente mentira.

Falaram que não era minha irmã que estava grávida, mas que era eu. Depois disseram que eu havia abortado porque me viram com uma blusa mais justa.

Quando eu saía com uma bata, eles colocavam nos jornais "Pichu agora usa bata".

E a questão de que seu pai e seu irmão estariam envolvidos com o narcotráfico?
Isso começou no primeiro ano de governo e os rumores foram feitos diretamente por esse senhor Robert Carmona, um venezuelano que está
refugiado nos EUA porque fugiu da Justiça venezuelana. Ele esteve envolvido no golpe de Estado de Hugo Chávez na Venezuela. Em 2006, houve um problema em uma empresa da qual ele era dono, Latino. Foi dito que ele tinha feito um contrato ilícito com o Estado e que havia subornado certas pessoas. Quando foi divulgado, coincidiu com uma campanha que fizemos contra o narcotráfico no país, em que ele estava envolvido. Imediatamente ele começou a fazer críticas pessoais contra meu pai. De fato, queriam envolver meu pai no caso da empresa Latino. Ele dizia que era a meu pai que eles haviam subornado.

Foi demonstrado que o contrato havia sido feito no governo anterior e que meu pai não tinha nada a ver com a história. O Departamento de Justiça dos EUA demonstrou que meu pai não tinha nada que ver com isso. De imediato, envolveram meu irmão, que está casado com Marcela Kafati, cujo pai é dono da empresa de café Índio, que é uma das maiores empresas de Honduras. Carmona era amigo de um tio de Marcela, cujo pai tem problemas com o próprio irmão por causa de herança. Ele começou a falar que meu irmão tinha vínculo com o narcotráfico, coisas totalmente falsas, onde não se comprovou nada. Durante o golpe, disseram que havia uma ordem de captura contra meu irmão pelo narcotráfico, sem apresentar nenhuma prova. Deixaram de envolver meu irmão para envolver meu pai, que passou a ser o narcotraficante. É tudo falso.

Como se encontra seu pai e com que frequência vocês o visitam?
Nós o visitamos todos os domingos, que é quando os militares nos deixam passar.

Papai tem uma hérnia de disco e precisa de cuidados médicos. Nós levamos sua comida todos os dias. Antes, essa comida era cheirada por cachorros. Hoje, eles usam luvas de plástico para verificar com as mãos se não há nada dentro das embalagens. O maior problema é com o lixo, que se aglomera. O cheiro é insuportável. Há muitas moscas.

Ele chegou a fazer algum pedido exótico a vocês?
Não, apenas que nós lhe levássemos banana, mas só que os militares não deixam que entrem frutas.

Dizem que só com receita médica. Vê se pode. Recentemente, nós levamos seu violão. Mamãe diz que ele passa muito tempo tocando as canções que gosta. Eu mandei para ele alguns acordes pela internet. Essa é a forma que ele encontrou para relaxar.

A jornalista viaou a convite do Tribunal Supremo Eleitoral

Publicado em: 29/11/2009

sábado, 14 de novembro de 2009

detectoras de metal ou de negros?



A mesma porta, o mesmo banco, os mesmos objetos na bolsa. Muda só o portador. Vídeo para quem AINDA acredita que portas giratórias dos bancos brasileiros são “detectoras de metal”. Eu, um magrelo branco com cara de tonto, nunca fui barrado nelas, mesmo carregando no bolso, em metais, o equivalente a uma bigorna.

E aí, bancaiada safada? Vão ficar só na encolha?
[do blog http://comfelelimao.wordpress.com/]